5 Características Chave na Construção de habitações Energeticamente Eficientes

Com este artigo pretendemos partilhar alguma da nossa experiência na construção de edifícios residenciais, indicando 5 características chave na construção de habitações energeticamente eficientes.

Eficiência Energética das Habitações em Portugal

Impulsionado pela Pandemia COVID-19 e pelo aumento do tempo que passamos nas nossas habitações, tem havido bastante discussão acerca de como garantir um maior conforto e poupança de energia.

De acordo com dados da ADENE (Agência para a Energia) Portugal continua a ser um dos países da Europa com uma percentagem muito considerável de residências com reduzida eficiência energética.

Certificados Energéticos emitidos entre 2014 e 2021- Fonte ADENE

Entre outros fatores, esta evidência está relacionada com a aprovação, em Portugal, do primeiro regulamento das condições térmicas dos edifícios apenas em 1990. 

Assim, e ao contrário de vários países europeus onde essa regulamentação já existia desde os anos 1950 e 60, a maior parte dos edifícios existentes em Portugal foi construída antes da existência destas normas.

Se estes números encontram justificação nos edifícios construídos antes de 1990, haverá poucas razões para que a construção nova ou para a construção mais recente não respeita as boas práticas relativas à eficiência energética dos edifícios residenciais.

5 Características Chave na Construção de habitações Energeticamente Eficientes

1 – A Forma da sua Habitação

Tendo em conta que as perdas de calor se dão através das superfícies externas do edifício, nomeadamente janelas, paredes, telhados, etc, as habitações com maior área de superfície exposta ao exterior potencialmente terão maior perda de calor.

Este factor significa, a título de exemplo que uma moradia geminada, pelo facto de partilhar uma fachada com o edifício adjacente, está menos exposta do que uma moradia unifamiliar isolada.  

Ou que um apartamento no último andar de um prédio residencial estará mais exposto às perdas de calor devido à sua proximidade com a cobertura do edifício do que um apartamento localizado nos andares diretamente abaixo.

2 – A Localização da sua Habitação

A localização geográfica do edifício é de grande importância na definição dos elementos construtivos e, consequentemente, na sua capacidade de manter uma boa temperatura ambiente. 

Na imagem seguinte, retirada do Despacho (extrato) n.º 15793-F/2013, podemos verificar os mapas climáticos de Verão e de Inverno de Portugal, organizados por zonas climáticas.

As zonas classificadas com o índice 1 representam as zonas com clima mais ameno, ou seja, menos frias no Inverno e menos quentes no Verão. As zonas classificadas com o índice 3 representam as zonas com clima mais rigoroso.

Imagem retirada do Despacho n.º 15793-F/2013

Neste sentido, e a título de exemplo, a construção de um edifício em Lisboa será, necessariamente, diferente da construção de um edifício em Castelo Branco que convive com maiores diferenças térmicas no Verão e no Inverno.

3 – Orientação e Exposição Solar da sua Habitação

Regra geral, podemos resumir da seguinte forma a relação entre conforto da casa e exposição solar:

  • SUL. Exposição solar durante todo o ano, sendo confortáveis no Verão e no Inverno
  • NORTE. Exposição solar fraca, sendo muito frios no Inverno e frescos no Verão.
  • NASCENTE. Exposição solar durante a parte da manhã.
  • POENTE. Exposição solar durante o período da tarde sendo muito quentes no Verão

Desta forma deverá procurar uma habitação com as janelas e paredes maioritariamente orientadas a Sul evitando superfícies expostas a Norte. Esta orientação permite um bom aproveitamento da radiação do sol no Inverno devido ao ângulo de altura do sol apresentar os valores mais baixos do ano, durante esta estação do ano.

Créditos pela Imagem – Gradhermetic

Utilizando-se os elementos de obstrução adequados das janelas será possível minimizar a penetração da radiação solar para o interior do edifício durante o Verão, mantendo um bom conforto térmico também durante este período do ano.

4 – Solução Construtiva da sua Habitação

Este must-have, talvez o maior importante de todos, requer um maior conhecimento técnico na medida em que é necessário perceber o impacto que os materiais selecionados, e a forma como são combinados, têm na capacidade da sua habitação em manter uma boa temperatura ambiente. 

De um modo resumido consideramos que deverão ser eficientemente utilizados e combinados materiais com uma baixa condutibilidade térmica.

A título de exemplo, um aglomerado de cortiça tem um índice de condutibilidade térmica muito inferior ao betão e ao do granito. O que isto significa? Significa que, para ter a mesma resistência térmica que o um aglomerado de cortiça de 1 cm de espessura, o betão tera de ter uma espessura de 52 cm e o granito 78 cm. Uma diferença muito considerável!

Aglomerado de Cortiça, Blocos de Betão e Blocos de Granito

Os isolamentos utilizados são outro factor deveras importante na prevenção de transferências de calor por condução entre o interior e o exterior de um edifício.

Mais uma vez deverão ser eficientemente utilizados e combinados materiais (Poliestireno Expandido, Poliestireno Extrudido, Espuma de Poliuretano, Aglomerado de cortiça, Lã Mineral, etc.) que garantam uma menor amplitude térmica interior face às variações de temperatura no exterior, mantendo as casas confortáveis durante todo o ano.

Exemplo de isolamento com utilização de aglomerado de cortiça.
Créditos pela imagem – Amorim Isolamentos

5 – Vidros e Janelas da sua Habitação

Estima-se que entre 25 a 30% das necessidades de aquecimento resultam de perdas de calor com origem nos envidraçados das nossas habitações. Serão 3 os fatores que influenciam estas perdas de calor: a área da superfície envidraçada, o tipo de vidro utilizado; e o tipo de caixilharia.

Com as tendências atuais de arquitetura, que valorizam portas e janelas em vidro de grandes dimensões, o tipo de vidro e caixilharia utilizados ganham cada vez maior importância.

Para garantir uma maior eficiência energética deverão ser utilizadas janelas com vidros duplos que reduzam a passagem de radiação solar mas que permitam a entrada de luz natural. 

Exemplo de Janela com Vidro Duplo em PVC
Crédito pela imagem – FPS Janelas e Portas

Quanto à caixilharia, não entrando na discussão entre a utilização de Alumínio ou de PVC para a estrutura, consideremos essencial que o material utilizado e a sua montagem deverão limitar ao máximo a existência de pontes térmicas com o exterior.

Takeaways

Embora exista sempre um déficit de informação técnica entre quem constrói, quem promove os imóveis e quem os compra, hoje em dia os clientes estão cada vez melhor informados sobre o que influencia a eficiência energética de uma residência. 

Esperamos que este artigo que partilha, entre outras, 5 características chave na construção de habitações energeticamente eficientes possa ajudar na limitação desse déficit de informação e contribuir para tomar boas decisões na compra de uma habitação.

Bibliografia a consultar

Eficiência Energética dos Edifícios Residenciais – Manual do Consumidor. Intelligent Energy Europe

Guia Prático da Habitação – Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana

Manual de Boas Práticas Construtivas – ITECONS

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